domingo, 15 de junho de 2014

Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas - Parte 1

          Vimos na última postagem porque é interessante considerar as 4 habilidades linguísticas (leitura, escuta, fala e escrita) quando estabelecemos onde estamos e também aonde queremos chegar no aprendizado de uma língua. Agora vamos combinar a perspectiva das 4 habilidades com a tabela abaixo, apresentando o que o falante de um idioma pode fazer em cada nível considerado. A tabela é o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas -- disponível em várias fontes na Internet (principalmente em inglês, com o nome de Common European Framework of Reference for Languages) --, que modifiquei ligeiramente para adaptá-la à apresentação:

A1 (básico inferior): É capaz de compreender e utilizar expressões familiares e correntes assim como enunciados simples que visam satisfazer necessidades imediatas. É capaz de se apresentar ou apresentar alguém e indagar seu interlocutor sobre assuntos como o local onde vive, suas relações pessoais, o que lhe pertence, entre outros. É capaz de responder ao mesmo tipo de questões. É capaz de se comunicar de forma simples desde que seu interlocutor fale clara e pausadamente e se mostre disposto a colaborar para entender o que lhe é falado.

A2 (básico superior): É capaz de compreender frases isoladas e expressões de uso frequente relacionadas com assuntos de prioridade imediata -- informações pessoais e familiares simples, compras e trabalho, por exemplo. É capaz de se comunicar em situações que exijam apenas trocas de informações simples e diretas sobre assuntos e atividades habituais. É capaz de descrever com meios simples a sua formação, o seu ambiente e de se referir a assuntos que correspondem a necessidades imediatas.

B1 (intermediário inferior): É capaz de compreender os pontos essenciais quando a linguagem padrão utilizada é clara, abordando aspectos familiares em contextos de trabalho, escola e passatempo, entre outros. É capaz de participar da maior parte das situações que podem ocorrer em viagem para uma região onde a língua-alvo é falada. É capaz de organizar um discurso simples e coerente sobre assuntos familiares em diferentes áreas de interesse. É capaz de relatar acontecimentos, experiências ou sonhos, de expressar um desejo ou uma ambição, e de justificar, de forma breve, as razões de um projeto ou de um ponto de vista.

B2 (intermediário superior): É capaz de compreender o conteúdo essencial de assuntos concretos ou abstratos em um texto complexo, incluindo uma discussão técnica na sua especialidade. É capaz de se comunicar com grande espontaneidade, o que permite uma conversa normal com falantes nativos, não se detectando tensão em nenhum dos interlocutores. É capaz de se expressar de forma clara e detalhada sobre uma vasta gama de assuntos, de emitir opinião sobre uma questão atual e de discutir as vantagens e desvantagens de diferentes argumentos.

C1 (avançado inferior): É capaz de compreender uma vasta gama de textos longos e complexos, inclusive detectando significações implícitas. É capaz de se expressar de forma espontânea e fluente sem, aparentemente, ter de procurar as palavras. É capaz de utilizar a língua de maneira eficaz e flexível na sua vida social, profissional ou acadêmica. É capaz de se expressar sobre assuntos complexos, de forma clara e bem estruturada, e de mostrar domínio dos meios de organização, de articulação e de coesão do discurso.

C2 (avançado superior): É capaz de compreender sem esforço praticamente tudo o que lê ou ouve. É capaz de reconstituir fatos e argumentos de fontes diversas, escritas e orais, resumindo-as de forma coerente. É capaz de se expressar de forma espontânea, fluente e precisa e de distinguir pequenas diferenças de sentido relacionadas com assuntos complexos.

          A tabela foi criada pelo Conselho Europeu com o objetivo de propiciar um denominador comum aos métodos de aprendizado, ensino e avaliação das línguas da União Europeia. Posteriormente, o Quadro foi utilizado também para servir de base às provas de proficiência dos diferentes países europeus (goo.gl/fvDQnu). Por isso, as provas internacionais de inglês (Cambridge), francês (DELF/DALF), italiano (Perugia), espanhol (Instituto Cervantes) e alemão (Instituto Goethe) seguem essa mesma escala.

          Para quem quiser ter uma visão mais detalhada do Quadro, com as habilidades dos 6 diferentes níveis detalhadas em cada uma das 4 habilidades, é só fazer o download do material disponível no link abaixo:
http://europass.cedefop.europa.eu/pt/resources/european-language-levels-cefr.

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